LeituraQuer melhorar suas habilidades sociais? Leia Clarice Lispector

8 de dezembro de 2016

Você tem uma entrevista de emprego marcada para mais tarde no dia de hoje. O que você deve fazer para se sair melhor nela? Tomar um banho Ler um conto de Clarice Lispector Todas as opções anteriores Caso você já tenha tomado banho hoje, a opção correta é a b). Parece estranho, mas uma pesquisa...

Você tem uma entrevista de emprego marcada para mais tarde no dia de hoje. O que você deve fazer para se sair melhor nela?

  1. Tomar um banho
  2. Ler um conto de Clarice Lispector
  3. Todas as opções anteriores

Caso você já tenha tomado banho hoje, a opção correta é a b). Parece estranho, mas uma pesquisa publicada em 2013 na revista Science, demonstrou que o que lemos influencia diretamente nossa empatia e a maneira com que lidamos e navegamos o território social ao nosso redor. Ou seja, alguns tipos de leitura nos ajudam a desenvolver melhor nossas habilidades sociais do que outras.

Segundo o estudo, pessoas que leram autores consagrados como Tchekhov, Alice Munro ou Clarice Lispector, conseguiram resultados melhores do que as outras em testes que mediam percepção social, empatia e inteligência emocional. Essas habilidades são importantíssimas quando precisamos compreender a linguagem corporal das pessoas ao nosso redor para inferir o que elas estão pensando, exatamente o que tentamos fazer em encontros românticos e entrevistas de emprego.

Os pesquisadores argumentam que a razão por trás disso provavelmente é que os autores de ficção literária criam personagens mais complexas, e, ao mesmo tempo, deixam mais espaço para a imaginação. Isso torna o leitor mais sensível às nuances comportamentais e emocionais das personagens. O mesmo não ocorre com em livros de ficção comercial, como Cinquenta Tons de Cinza ou textos de autoajuda e não ficção.

A pesquisa, que foi desenvolvida por psicólogos sociais ligados à New School for Social Research, em Nova York, recrutou pessoas entre 18-75 anos de idade para participar de cinco experimentos. O primeiro grupo leu textos de autores consagrados por alguns minutos. O segundo teve que ler trechos de best-sellers. O terceiro grupo leu não ficção. O quarto, pequenos artigos de uma revista científica. Finalmente, o quinto grupo não leu absolutamente nada.

Após o período de leitura, todos os grupos fizeram alguns exercícios que testaram sua capacidade de entender e compreender demonstrações de emoção alheias. Por exemplo, em um dos testes, os recrutas viram 36 fotos de expressões faciais e tinham que decidir qual a emoção estava sendo mostrada. O mais surpreendente é que, com apenas alguns minutos de leitura, o grupo que leu ficção literária de autores consagrados conseguiu resultados consideravelmente melhores do que os outros grupos.

Ainda existem muitas perguntas que essa pesquisa deixou por responder, mas os resultados são impactantes. O professor Albert Wendland, que dirige o programa de mestrado em escrita popular da Universidade de Setton Hill afirmou que concorda com os resultados. Segundo ele, a ficção literária oferece “análises longas e sensíveis da vida das pessoas, e por isso esse tipo de literatura literalmente te coloca no lugar de outra pessoa – te coloca numa vida que pode ser mais difícil e mais complexa do que o que estamos acostumados a ler na ficção comercial. Por isso, faz sentido que a pesquisa tenha encontrado que essas leituras melhorem nossa empatia e nossa compreensão da vida das pessoas ao nosso redor.”

Ele adicionou que na ficção literária, como em Dostoiéviski, “não existe uma única voz dominante. Cada personagem representa uma versão diferente da realidade, e elas não são necessariamente confiáveis. Você como leitor é forçado a participar dessa dialética, o que é algo que você também tem que fazer na vida real.”

Fonte: http://well.blogs.nytimes.com/2013/10/03/i-know-how-youre-feeling-i-read-chekhov/?_r=1

Leitura transforma

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