LeituraQuem foi sua “Professora Muito Maluquinha”?

9 de fevereiro de 2017

  De tão imersos que estamos com a Maratona do Livro Infantil aqui na Árvore, eu me questionei ao reler Uma professora Muito Maluquinha: “Qual foi a professora mais maluquinha que eu já falei? Ou que me deu alguma aula? Ou que eu já conheci?” E, por incrível que pareça, a resposta foi muito fácil...

 

De tão imersos que estamos com a Maratona do Livro Infantil aqui na Árvore, eu me questionei ao reler Uma professora Muito Maluquinha: “Qual foi a professora mais maluquinha que eu já falei? Ou que me deu alguma aula? Ou que eu já conheci?”

E, por incrível que pareça, a resposta foi muito fácil de encontrar! Querem conhecê-la também?

Bem… A minha Professora Muito Maluquinha é amiga de longa data. Ela me ensinou a ler, mas de um jeito diferente. Ao invés do “Bê a Bá”, ela lia muitas histórias em quadrinhos para mim, e relia todas mais de uma vez. Para me provocar, nas releituras ela sempre mudava um pouco a história. Mas, com o tempo, passei a perceber a malandrice! De algum jeito, sabia que a palavra escrita no balão era diferente do que ela falava. Brigava com ela, e ela me ensinava o que estava escrito. Então, com 4 anos de idade eu já lia perfeitamente graças à esse método maluquinho.

Minha professora era tão maluquinha que, mesmo com meus 4 anos de idade, ela achava que eu poderia ter a mesma maturidade de alunos de 6 anos e me colocou na turma deles! Coitada da minha professora maluquinha… Espero que ela não tenha ficado muito chateada com toda a bagunça que eu fiz naquela turma.

Ela era tão maluquinha que, num certo dia, ela soube que eu briguei no recreio e fui chamado para a sala da diretora. Só que quando ela descobriu que eu briguei porque meu coleguinha foi racista comigo, só faltou ela brigar com ele também! Ela arrumou uma confusão tão grande com a diretora ao me defender que só posso imaginá-la pensando “nossa, ela é professora, mas é muito maluquinha”. No fim das contas, aprendi que maluquinho era meu colega mesmo.

Ao ensinar contos de fadas, não utilizava as princesas da Disney. Ela utilizava as princesas da África e toda a magia que originou a nossa cultura, mostrando a importância do respeito e da pluralidade de pensamento com outras etnias e religiões. Imagina a cara das crianças da sala quando descobriram que existiam princesas negras? Era muita maluquice pra gente! Como assim nós, negros, podemos ser da realeza?

E quando ela cismou em ensinar literatura de cordel, falando daquele tal de Patativa do Assaré? Como assim um monte de crianças vai fazer repente, gostar de cultura nordestina, aprender que há mais nordeste do que o sertão e ainda assim gostar disso? Bem, talvez os alunos fossem muito maluquinhos também. O varal de cordéis ficou lindo, e até hoje o projeto funciona na escola, empolgando alunos e famílias.

A minha professora é tão maluquinha, mas tão maluquinha, que na sala de aula o ensinamento tradicional dos livros não era a prioridade. A prioridade sempre foi criar um aluno crítico, que pudesse amar ao próximo, respeitando as diferenças e sempre acreditando em si mesmo. A matemática dos números tinha tanta importância quanto a matemática do amor, e para mostrar isso, ela sempre usou de tudo que fosse possível! Sempre teve muito teatro, muitos filmes, muitas conversas e muitos abraços em sua sala de aula.

Até os famosos “alunos problema” iam bem com minha professora muito maluquinha. Ela tem o dom de descobrir o ponto forte dos outros, e mais do que acreditar nisso, te faz acreditar em si mesmo. Até eu, que era um adolescente super complicado, aprendi a ter sabedoria para amar ao próximo e a mim também. Desistir, seja de si mesmo ou dos outros, nunca foi uma opção para essa professora. Isso sim era maluquice

Essa professora muito maluquinha é minha mãe, Fátima Lima. Muito obrigado por sempre me ensinar a ser uma pessoa melhor, para mim e para os outros. Te amo, mãe 🙂

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Gabriel Lima atua na área comercial da Árvore de Livros, e em 2016 falou com mais de mil professoras. Segundo ele, grande parte era muito maluquinha também.

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