LeituraO que a Professora Maluquinha tinha de tão maluquinha?

9 de março de 2017

A Maratona do Livro Infantil: uma aventura muito maluquinha já começou e, durante o mês de março, respiraremos esse projeto intensamente. Em abril, teremos ainda um encontro entre o escritor Ziraldo e a escola vencedora. Não é nenhuma novidade que Ziraldo é um dos grandes marcos da literatura infantil e juvenil do nosso país. Personagens...

A Maratona do Livro Infantil: uma aventura muito maluquinha já começou e, durante o mês de março, respiraremos esse projeto intensamente. Em abril, teremos ainda um encontro entre o escritor Ziraldo e a escola vencedora.

Não é nenhuma novidade que Ziraldo é um dos grandes marcos da literatura infantil e juvenil do nosso país. Personagens como a Professora Maluquinha (já falamos desse livro aqui), o Menino Maluquinho, Julieta e Bocão saíram de sua pena para os livros que encantaram gerações. É muito difícil encontrar hoje adolescentes ou jovens adultos que não tiveram suas infâncias marcadas por algum personagem do autor.

Uma professora maluquinha é uma homenagem apaixonada a diversas professoras espalhadas pelo país. Eu, como professora, ao revisitar o texto, pego-me emocionada a pensar o que faz a Professora Maluquinha pra ser tão amada por seus alunos…

Seria a beleza?

Assim que a professora chegou à escola pela primeira vez, “todas as meninas quiseram ser lindas e todos os meninos quiseram crescer na mesma hora pra poder casar com ela”.

Seriam as atividades diferentes que ela propunha?

No primeiro dia com a turma da alfabetização, a Professora Maluquinha pediu que os alunos escrevessem seus nomes em um papel, os embaralhou e depois pediu para reorganizá-los na ordem do ABC. Nos dias seguintes, ela dividiu as turmas segundo critérios diferentes e colocou todos para brincar de Forca (bingo! como não usamos essa brincadeira com frequência com alunos que estão aprendendo a ler?). Outras vezes, ela pegava um monte de anúncios, cartazes e revistas e pedia aos alunos que procurassem determinada palavra (bingo de novo!).

Seria o seu método de disciplina?

Com ela não tinha castigo. Tinha julgamento. Se um lá fizesse alguma coisa que parecesse errada, ela convocava o júri. Um aluno para a acusação, outra para a defesa. O resto da turminha era o corpo de jurados…”.

Seria a sua contagiante paixão pela leitura?

E tinha a Semana do Silêncio. Era quando ela vinha para a classe, abria sobre a mesa um romance água com açúcar e ficava lendo o tempo todo. Nós ficávamos muito, muito caladinhos. É que a gente ficava lendo nossas revistinhas, nossos tico-ticos e gibis…”.

De tanto procurar, acabei com uma suspeita: talvez, a Professora Maluquinha é tão idolatrada pelo mais elementar dos motivos. Ela segue aquela recomendação que todas nós recebemos nas universidades e nem sempre seguimos, que é ensinar com afeto. Mais que mostrar regras e conceitos, esgotar planejamentos e atender aos currículos, a tal professora ensina principalmente através do respeito, da empatia e do carinho. Sempre incentivando a imaginação e os sonhos. Não à toa, a professora toda maluquinha não foi bem vista por um sistema educacional conservador e logo perdeu seu emprego.

Mais que um livro infantil de qualidade excepcional, Uma professora muito maluquinha é sempre uma inspiração para todas nós que nos aventuramos na arriscada e deliciosa tarefa de educar. Uma tarefa tão apaixonante quanto desafiadora. Mas, todas nós sabemos que nem tudo são flores. A rotina é cansativa, as realidades muitas vezes são conflitantes e nem sempre somos valorizadas, mas sabemos que é uma alegria ver que nosso trabalho tem um fim tão valioso. E mais do que isso, que o nosso trabalho é indispensável a qualquer sociedade. Afinal, o que uma professora ganha vai muito além de um salário. Ganhamos o quanto uma criança aprende, uma dificuldade que ela supera, o seu sorriso e a sua descoberta.

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