LeituraOs alunos estão lendo: O Gênio do Crime

16 de junho de 2016

Era um mês de outubro em São Paulo, tempo de flores e dias nem muito quentes nem muito frios, e a criançada só falava no concurso das figurinhas de futebol. Deu mania, mania forte, dessas que ficam comichando o dia inteiro na cabeça da gente e não deixam pensar em mais nada. (…) São Paulo...

Era um mês de outubro em São Paulo, tempo de flores e dias nem muito quentes nem muito frios, e a criançada só falava no concurso das figurinhas de futebol. Deu mania, mania forte, dessas que ficam comichando o dia inteiro na cabeça da gente e não deixam pensar em mais nada. (…) São Paulo estava de cócoras batendo e virando. Batia-se de concha, de mão mole, de quina, com efeito, de mão dura, conforme o tamanho do bolo, o jeito do chão e o personalíssimo estilo de cada um.

É assim que João Carlos Marinho apita o início de O gênio do crime, uma aventura que envolve futebol, figurinhas, paixão, crime, crianças-detetive e um escocês de nome esquisito. Com uma linguagem descontraída e um jeito de criar personagens infantis inteligentes e vivos, o livro foi publicado pela primeira vez em 1969 e deu início à coleção da turma do gordo (que, aliás, está todinha na Árvore).

Um criminoso muito esperto vem falsificando as figurinhas mais difíceis do álbum do velho Tomé e vendendo a preços altos. A grande quantidade de crianças que conseguem completar o álbum e não abrem mão da premiação levam o empresário à ruína. Todos os policiais e investigadores da cidade já tentaram, sem sucesso, resolver o caso, mas o crime era perfeito, não havia pistas. Sem mais a quem recorrer, Tomé apela para Edmundo, Pituca e Bolachão, três meninos que, a despeito da pouca idade, têm talento de sobra para o tal ofício de detetive.

Daí, os três se desembestam na São Paulo tão bem descrita por João Carlos Marinho, analisam os fatos, catam pistas, perseguem pessoas, matam aula, brigam, perseguem de novo (só que agora partindo do inverso do reverso ao contrário), apaixonam-se e vivem histórias de fazer rir e chorar de rir. Destaque para o uísque e as piadas improváveis de Mister John Smith Peter Tony, outro detetive que entrou no meio da história pra deixar a coisa mais descomplicada. Para além das brincadeiras, é também uma homenagens às grandes narrativas de investigação e aos clássicos personagens que empregavam suas horas em desvendar casos misteriosos.

Como diria Mister John Smith, contar o história todo mim não vai porque tirar o graça das leitores. Há que se ler, há que se ler e conhecer (ou lembrar, para os que não são de tão pouca idade) um tempo em que a infância era mais da rua, dos heróis do futebol, das brincadeiras com o corpo que dos jogos de videogame. Se você é professor ou professora, está aí uma boa oportunidade de levar uma leitura leve e especialmente divertida para os mais jovens.

Boas leituras!

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