LeituraA importância da ilustração no livro infantil e o papel do ilustrador

22 de dezembro de 2016

Já imaginou uma criança interessada por um livro, que não tenha nenhuma ilustração ou algum estimulo visual ? Não, né ? Todos nós, mesmo depois de adultos, carregamos memórias e referências visuais dos livros infantis que lemos quando criança. Essas referências são moldadas com base no que nos é apresentado na escola, pelos professores (nós...

Já imaginou uma criança interessada por um livro, que não tenha nenhuma ilustração ou algum estimulo visual ? Não, né ? Todos nós, mesmo depois de adultos, carregamos memórias e referências visuais dos livros infantis que lemos quando criança. Essas referências são moldadas com base no que nos é apresentado na escola, pelos professores (nós já falamos aqui sobre como os professores podem criar leitores independentes, dê uma olhada aqui)

Nos livros infantis, as ilustrações funcionam como uma ferramenta capaz de atrair o público, traduzir uma mensagem e apresentar uma nova visão do que é contado. Formar um leitor visual é de extrema importância para termos uma sociedade crítica, que consiga reconhecer diferenças e que saiba dialogar. A alfabetização visual fortalece a capacidade de observação e análise da criança, desenvolvendo sua percepção visual e promovendo uma experiência de cor, forma, perspectivas e significados.

Em relação ao âmbito literário, a ilustração deixou de ser um elemento complementar passou a ser um elemento necessário. É nesse contexto que surge o papel do ilustrador, que tem a importante tarefa de narrar o texto de forma fluida, mantendo seu significado e administrando de forma inteligente o decorrer do enredo.

Um grande obstáculo para o ilustrador é encontrar uma linguagem gráfica compatível com a do seu receptor potencial. As crianças têm uma capacidade de imaginação e abstração muito maior que um adulto, pois carregam em si menos referências visuais por isso cabe ao ilustrador entender esses processos e trabalhar de forma eficaz desenvolvimento cognitivo e estético perceptivo de seus receptores.

Nos últimos anos, o ilustrador tem finalmente recebido sua devida importância nesse mercado editorial. A produção do livro infantil já reconhece o ilustrador como figura necessária, alguém tão importante quanto o autor (às vezes o ilustrador chega a contribuir também com a parte textual).

Mesmo com esse reconhecimento, ainda há obstáculos a serem superados. Aqui no Brasil existe um ciclo vicioso que envolve o mercado editorial, principalmente o infanto/juvenil. As crianças e jovens leem pouco, ou seja, compram pouco livro. As editoras, na maioria das vezes, acabam tendo que elevar os preços para que consigam lucrar, e com isso atraem cada vez menos o público. Nesse cenário, um novo caminho se abre para os autores: as escolas. Eles não veem muitas alternativas e acabam optando por vender suas obras para escolas e bibliotecas Brasil à fora. Essa é uma prática muito comum, tanto que existem profissionais especializados em criar conteúdos educativos, mas também faz com que suas obras tenham que assumir um caráter didático. A didatizaçã do livro infantil sempre gera muitos questionamentos. Há pontos de vistas diferentes quanto aos seus benefícios para o mercado, mas vamos deixar esse assunto pra uma outra hora, pois ele é complexo (e polêmico).

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