LeituraA crise de identidade do leitor

22 de junho de 2017

Você sabia que a leitura, especialmente a de literatura e ficção, é culpada por uma crise de identidade do leitor? Mas calma, essa crise é positiva, e ajuda a criar pessoas mais tolerantes e empáticas. Já vimos anteriormente que a leitura não é apenas a decodificação dos signos gráficos que estão impressos no papel, ou...

Você sabia que a leitura, especialmente a de literatura e ficção, é culpada por uma crise de identidade do leitor? Mas calma, essa crise é positiva, e ajuda a criar pessoas mais tolerantes e empáticas.

Já vimos anteriormente que a leitura não é apenas a decodificação dos signos gráficos que estão impressos no papel, ou são projetados na tela do seu computador, celular ou tablet. A leitura é um processo complexo, que resulta na aquisição de experiências. E são essas experiências que causam uma crise de identidade dentro do leitor.

Mas como isso acontece?

Segundo o linguista francês Vincent Jouve, a leitura é ao mesmo tempo libertação e preenchimento. A libertação acontece quando você, ao ler um livro, foge, liberta-se, por meio da imaginação, das amarras que te prendem ao seu cotidiano. Já o preenchimento é o momento em que, aniquilado o mundo real, você cria um outro mundo dentro de você – o mundo dentro do livro, reconstruído por sua imaginação. Ou seja, ao ler, você esquece da sua realidade e recria o mundo do livro dentro da sua cabeça.

Enquanto estiver lendo, o leitor esquece os problemas diários e passa a se interessar pela vida e pelo destino das personagens, que possuem problemas diferentes dos seus ou encaram os mesmos problemas de formas inusitadas e inéditas. É como se o leitor “encarnasse” as personagens ou o autor, passando a entender diferentes formas de enfrentar o mundo e, assim, modificar seu olhar sobre a realidade.

Essa “encarnação do outro” é uma das coisas mais fantásticas e estranhas sobre a leitura, pois tudo o que pensamos é parte de nós, mas quando estamos lendo, passamos a ter ideias que são parte de outra pessoa (da personagem ou do autor). É como se parássemos de existir por um momento, e nos tornássemos uma outra pessoa.

Isso gera uma verdadeira crise de identidade. Mas como dissemos, ela é positiva, porque possibilita que o leitor tenha contato com pontos de vista e formas de pensar diversos e acabe por ampliar suas próprias experiências e, assim, compreender melhor a realidade, e como outras pessoas diferentes dele pensam.

Uma vez que você consegue compreender que existem formas de pensar diferentes da sua, consegue também se colocar no lugar do outro e, dessa forma, se tornar uma pessoa mais empática e tolerante. Num mundo tão polarizado quanto o que vivemos hoje, em que as pessoas possuem opiniões tão antagônicas, talvez tudo o que estejamos precisando é ler mais literatura.

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