LeituraBiblioteca virtual transforma alunos em autores

31 de outubro de 2016

Que atire a primeira pedra o educador que nunca ficou tão orgulhoso dos trabalhos de seus alunos ao ponto de querer publicá-los, deixando-os expostos para que todos pudessem ver. Muitas vezes, as crianças realizam produções incríveis, e é uma pena que fiquem no anonimato, guardadas em uma gaveta ou misturadas em uma pilha de outros...

Que atire a primeira pedra o educador que nunca ficou tão orgulhoso dos trabalhos de seus alunos ao ponto de querer publicá-los, deixando-os expostos para que todos pudessem ver. Muitas vezes, as crianças realizam produções incríveis, e é uma pena que fiquem no anonimato, guardadas em uma gaveta ou misturadas em uma pilha de outros trabalhos. Pensando nisso, as professoras Lauriana Guttierrez e Liliana Mendes no Colégio de Aplicação João XXIII da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais criaram o projeto Ciberteca, uma biblioteca digital que disponibiliza os trabalhos dos alunos na internet. A proposta foi lançada em 2010 e ficou entre as finalistas do prêmio Viva a Leitura de 2016, uma premiação que reconhece as melhores experiências de incentivo à leitura.

Antes da Ciberteca, os trabalhos das crianças eram reunidos em um caderno de atividades. No entanto, para as educadoras, essas produções precisavam extrapolar os muros da sala de aula, possibilitando que outras pessoas também conhecessem o talento desses autores mirins. “Foi cogitada a construção de uma Biblioteca Virtual Infantil, com as produções dos alunos, tendo como diferencial um acervo produzido por crianças no processo de escolarização”, explica Lauriana. A Biblioteca Virtual Infantil foi a primeira sementinha do projeto. Ela que surgiu inicialmente com as produções dos alunos da 3ª série, sob coordenação da professora Lauriana, com o objetivo de disseminar as produções escritas e ilustrativas que as crianças realizavam na escola. “Você escreve para ser lido”, destaca a coordenadora. Com tempo, a Ciberteca expandiu e outros educadores da escola quiseram dar visibilidade aos trabalhos de seus alunos.

“O projeto possibilitou construir novas redes, tanto de leitores quanto de produtores textuais.”

O sucesso da Biblioteca Virtual Infantil também chamou a atenção de outra professora do Colégio Aplicação João XXIII, a professora de Língua Portuguesa Elza Nogueira. Ela que decidiu criar um novo segmento do projeto: a Biblioteca Juvenil, com produções de estudantes do 6ª ano. Se os estudantes poderiam ter o seu acervo publicado, por que não os professores? Foi criada, então, a Biblioteca do Professor, com materiais para o auxílio pedagógico, produzidos por graduandos da Faculdade de Educação da UFJF. Esses três segmentos juntos, a Biblioteca Virtual Infantil, a Biblioteca Virtual Juvenil e a Biblioteca do Professor, passaram a formar a Ciberteca, mas segundo a coordenadora, a Ciberteca está em processo de construção permanente.

Mais que digitalizar

Para desenvolver o projeto, as professoras contam com a ajuda de uma equipe de editoração, composta por graduandos da UFJF. Eles são responsáveis por harmonizar os textos e as ilustrações das crianças de forma a torná-los mais atrativos aos leitores. O setor de informática da universidade auxilia nas questões relacionadas à hospedagem do site. A Biblioteca Virtual Infantil também está acrescentando áudios às narrativas para que pessoas com deficiência visual tenham acesso ao material. Essas adaptações são realizadas pelo Núcleo de Cinema da UFJF.

A proposta pedagógica do projeto visa trabalhar com os gêneros textuais presentes na grade curricular da escola. Orientadas pela professora, as crianças podem explorar diversos tipos de textos como fábulas, poesias, histórias em quadrinhos e receitas. De acordo com a educadora, o objetivo é trabalhar os gêneros textuais em sua totalidade. As receitas, por exemplo, não se limitam às culinárias. Para esses autores, ingredientes como amor, alegria e carinho poderiam resultar em uma deliciosa receita poética. Os alunos também recebem um feedback de seus trabalhos e reescrevem suas histórias. Agindo como detetives do texto, eles procuram seus próprios desvios ortográficos, adequando os à norma culta.

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Além disso, imaginação das crianças não se restringe a produção textual. Seus traços também produzem árvores, animais, prédios, entre outros desenhos que compõem o cenário das narrativas. Para Lauriana, o aporte tecnológico foi importante para disseminar o trabalho dos alunos. Alguns professores usaram, em suas aulas, alguns dos textos desses pequenos escritores. “O projeto possibilitou construir novas redes, tanto de leitores quanto de produtores textuais”, ressalta a educadora. O acervo da Ciberteca está disponível no site do Colégio de Aplicação João XXIII.

Conheça o acervo: http://www.ufjf.br/joaoxxiii/projetos-de-extensao/ciberteca/

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