EducaçãoA metodologia do Colégio Viver

19 de setembro de 2016

Três amigos de escola gostam muito de jogar videogame. Gostam tanto, que se pudessem estudar isso, seriam experts! Bom, mas quem disse que videogame não pode ser um estudo? Aliás, é uma ótima alternativa para engajar estudantes a desenvolver suas pesquisas e projetos pessoais de aprendizado. Mesmo um tema aparentemente distante da sala de aula...

Três amigos de escola gostam muito de jogar videogame. Gostam tanto, que se pudessem estudar isso, seriam experts! Bom, mas quem disse que videogame não pode ser um estudo? Aliás, é uma ótima alternativa para engajar estudantes a desenvolver suas pesquisas e projetos pessoais de aprendizado.

Mesmo um tema aparentemente distante da sala de aula pode se tornar uma atividade educacional que incite os alunos a buscar novos conhecimentos. No estudo do videogame, por exemplo, é possível abordar questões como artes, desenvolvimento tecnológico, processo de interação, comunicação, narrativa… São inúmeras possibilidades que podem ser exploradas não apenas em games, mas também em dança, cinema, futebol… É possível promover um estudo a partir de praticamente tudo o que está em nosso cotidiano.

Uma forma de colocar isso em prática nas escolas é através do desenvolvimento de projetos pessoais de aprendizado. A metodologia é aplicável em quase tudo: desenvolver um projeto sobre Samba ou catalogar as plantas do colégio, tudo isso pode se tornar um projeto.

O Brasil possui casos interessantes e bem-sucedidos desta prática nas escolas. Um dos exemplos é o Colégio Viver, que dentre outros recursos metodológicos utiliza o desenvolvimento de projetos pessoais de aprendizado.

O Viver fica em Cotia, na região metropolitana de São Paulo. Ele existe há trinta e cinco anos e foi criado pelas educadoras Anna Maria Ferreira e Maria Amélia Cupertino. Em um bate-papo com Denis Plapler, coordenador do Viver, descobrimos que a proposta é mediar a relação da criança com o conhecimento, permitindo o desenvolvimento pessoal de processos lógicos, de habilidades (cognitivas, sociais e afetivas), de valores e atitudes.

O time do Viver acredita que é de extrema importância o indivíduo aprender a fazer escolhas desde cedo.

O time do Viver acredita que é de extrema importância o indivíduo aprender a fazer escolhas desde cedo. Assim como em outras áreas da vida, a melhor forma de atingir este objetivo é por meio da prática: para aprender a tocar violão, tocamos violão; para aprender a falar inglês, começamos a falar inglês; para aprender a fazer escolhas e a ter autonomia, temos que começar a fazer escolhas.

Na prática, isso se dá por meio de uma grade que inclui o projeto pessoal do aluno, uma forma de escolha assistida que incentiva a criança a agregar conhecimento sobre um assunto de seu interesse.

Para aprender a tocar violão, tocamos violão; para aprender a falar inglês, começamos a falar inglês.

Até uma determinada faixa etária, os estudantes desenvolvem uma abordagem baseada em um macro tema proposto pelos educadores, por exemplo, se o tema for água, a criança escolhe uma abordagem (escassez de água, enchentes, uso da água em outros locais, estrutura hidráulica…).

Com o tempo, o tema passa a ser livre, contanto que os estudantes aprendam a estudar o assunto e compreendam a lógica de construir um projeto, montar cronogramas, fazer planejamentos… A ideia é respeitar a escolha do aluno, e até hoje nenhum projeto foi barrado no Viver. O processo é acompanhado por orientadores, que analisam como as crianças se organizam e auxiliam na pesquisa.

Este modelo tem como perspectiva a ideia de que a escola não é somente uma preparação para a vida, mas sim, um local em que os alunos podem viver as experiências na prática. Para isso, a escola funciona em comunidade, os alunos interagem livremente, sem algumas das restrições de turmas seriadas que acontecem em escolas tradicionais.

Um exemplo disso são as assembleias, que reúnem todos os alunos com o intuito de discutir e tomar decisões a respeito do colégio. Em uma dessas ocasiões, por exemplo, foi debatido o uso do aparelho celular no ambiente escolar. Sugestões foram apresentadas pelos próprios estudantes e uma decisão foi tomada democraticamente através de votos. Resultado: os alunos podem usar o telefone móvel em horários específicos, como no recreio, e quem desrespeitar a decisão será punido. Se for a primeira violação, o celular vai ficar na coordenadoria até o fim do dia, se for a segunda violação, ele fica lá por um mês. Tudo pensado e aprovado pelas crianças.

Outra iniciativa interessante no modelo adotado pela instituição é a semana temática. Ao longo dessa semana, que acontece cerca de três vezes ao ano, todos os alunos param suas atividades para se dedicar a um tema comum. Em uma das últimas semanas temáticas, os alunos construíram um muro para restringir os locais em que circulariam; um grupo não poderia ter acesso à área da cantina e o outro não teria acesso à quadra durante todos os dias da atividade. Com base nesta experiência as crianças puderam fazer um estudo sobre o que foi e quais foram as implicações do muro de Berlim na vida dos alemães.

Os projetos e as semanas temáticas não tiram a necessidade e a importância de outros métodos pedagógicos, mas servem como formas de transpor o que é discutido com a turma para uma experiência real. São duas práticas que consolidam a metodologia do Viver, que buscam formas de aprender ligadas diretamente às experiências do mundo real.

O que você acha desta ideia? Se você fosse criança novamente e tivesse a oportunidade de realizar um projeto pessoal de aprendizado, que tema exploraria?

Leitura transforma

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