EducaçãoEducação, convivência e ética

7 de junho de 2017

“O mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que vamos deixar para esse mundo”. A frase dos antigos romanos foi uma das citações do filósofo, educador e palestrante Mário Sérgio Cortella, um dos grandes destaques no congresso Bett Brasil Educar. Na palestra intitulada “Educação, convivência e ética: reflexões urgentes para...

“O mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que vamos deixar para esse mundo”.

A frase dos antigos romanos foi uma das citações do filósofo, educador e palestrante Mário Sérgio Cortella, um dos grandes destaques no congresso Bett Brasil Educar. Na palestra intitulada “Educação, convivência e ética: reflexões urgentes para educadores, pais e docentes”, Cortella debateu sobre o quanto a tecnologia está presente nas nossas vidas e como é preciso saber administrá-la para que, tanto pais e filhos, quanto alunos e professores não percam a noção das relações de autoridade.

“Uma das melhores noções de disciplina é no que diz respeito à casa da avó. Na casa da avó se pode fazer tudo… Menos o que a avó proibia…”. Brinca o filósofo. “Na casa da meu avô, ele dizia assim: ‘vocês podem brincar na garagem, só não mexam nessa caixa de ferramenta’. Simbolicamente, a caixa de ferramenta era uma referência de conduta”. Essas referências de conduta aparecem também nas escolas, com as regras.

A criança hoje domina a tecnologia, mais do que as outras gerações e isso gera uma certa independência. O filósofo reflete sobre o fato de que hoje muitas crianças já acordam sozinhas, colocam os despertadores de seus smartphones para tocar e se arrumam para ir para a escola e seus pais, muitas vezes, saem de casa mais tarde. Dessa forma, o primeiro adulto que a criança vê no dia, muitas vezes é o professor que, segundo o filósofo precisa se impor como autoridade.

“Eu sou professor de universidade há mais de quarenta anos. Eu, todos os dias, às 07:30 da manhã sempre fiz chamada. Eu fazia chamada e muitos não faziam”, conta o educador. “Resultado: o tempo todo eu ficava lidando com um conflito com os alunos [que diziam] ‘mas porque o senhor faz chamada, não precisa, os outros professores não fazem’. Ou você tem projeto pedagógico em que há uma unidade em torno das decisões divididas, ou você enfraquece aquele colega que vai querer aquele caminho que exige dedicação e esforço”.

Para o especialista, a disciplina não é uma questão de um único professor em sala de aula, é uma questão de manter e respeitar um projeto pedagógico e a disciplina em sala é decisiva para viver o bom convívio. Vale ressaltar, no entanto, que autoridade é diferente de autoritarismo: “A autoridade é um exercício de responsabilidade e de comando sob as pessoas”.

Sempre comparando o âmbito escolar ao ambiente doméstico, Cortella destaca a importância dos papeis de cada um estarem claros. “Uma família não é uma democracia, assim como uma escola não é uma democracia. Esse é um conceito político que se aplica a uma nação”, diz. “Uma família não é uma democracia e não pode ser porque não se pode dar a concepção de direitos iguais a quem não tem a mesma responsabilidade”.

Ações que reforcem o momento de convívio são essenciais para a formação da criança, como por exemplo a rotina das refeições em família. É o que mais faz a diferença na hora de construir e partilhar valores para as crianças. “Há muitos pais que dizem que não têm tempo, mas, cuidado: o tempo é sempre uma questão de prioridade, é preciso inventar a prioridade”.

Seguindo a mesma lógica, o filósofo compara: “na sala de aula, eu [educador] mando. Eu não posso mandar de qualquer maneira, de maneira arbitrária ou de maneira violenta, não posso mandar de modo soberano, mas sou eu a autoridade”. O educador relata sua percepção sobre a resistência dos alunos hoje até mesmo no que diz respeito aos trabalhos escolares. Para ele, isso é um problema na percepção da autoridade e é preciso exigir esforço dos alunos, um esforço construtivo para ajudá-los a moldar o comportamento ético.

“A ética é a capacidade de nós construirmos a nossa decência, nossa decência de vida, de convivência, de não admitirmos valores que estilhacem a nossa ideia de uma unidade. Nessa hora, a escola tem uma tarefa”. O que Cortella aponta é que os alunos devem ser participativos, mas quem toma a decisão final é quem se responsabiliza por ela.

E você, professor? Concorda com a opinião do filósofo?

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