EducaçãoAtividades sobre bullying na escola: como identificar e de que forma agir

1 de junho de 2017

Lançada pela Netflix a série “13 Reasons Why”, inspirada no romance homônimo escrito por Jay Asher, conquistou popularidade rapidamente e ficou mundialmente conhecida por abordar um tema muito delicado: o suicídio de uma adolescente vítima de bullying dentro da escola. Pensando em como tratar desse assunto, criamos este texto que contempla atividades sobre bullying na...

Lançada pela Netflix a série “13 Reasons Why”, inspirada no romance homônimo escrito por Jay Asher, conquistou popularidade rapidamente e ficou mundialmente conhecida por abordar um tema muito delicado: o suicídio de uma adolescente vítima de bullying dentro da escola. Pensando em como tratar desse assunto, criamos este texto que contempla atividades sobre bullying na escola.

Algumas pessoas ressaltaram a tentativa benéfica da série em promover uma conscientização sobre atividades de bullying na escola, mas também surgiram muitas ponderações em torno do impacto nocivo que a série poderia ter sobre pessoas fragilizadas psicologicamente.

A maior parte das críticas negativas giram em cima da “glamourização” do suicídio e da utilização do autoextermínio como instrumento de vingança. Alguns especialistas, inclusive, alertaram que a série poderia ser um estímulo para novas ocorrências, reacendendo o debate em cima do tema.

Para comentar o assunto, convidamos a Dra. Evelyn Eisenstein, professora associada de pediatria e clínica de adolescentes, diretora da Clínica de Adolescentes e coordenadora do ESSE Mundo Digital.

Tivemos uma conversa aberta sobre como identificar bullying e desenvolver atividades sobre bullying na sala de aula. Confira a entrevista logo a seguir e não deixe de conferir a surpresa ao final do post.

Atividades sobre bullying na escola: entrevista com especialista aborda a série “13 Reasons Why”

A seguir apresentamos uma entrevista que a plataforma Árvore de Livros realizou com a especialista Dra. Evelyn Eisenstein. Um bate papo franco sobre a série de sucesso e sobre bullying.

Árvore de Livros: A senhora assistiu a série “13 Reasons Why”? Qual sua opinião sobre ela do ponto de vista profissional?

Dra. Evelyn Eisenstein: Sim, assisti. Esta série serve de alerta para várias questões que envolvem o desenvolvimento emocional e comportamental dos adolescentes, no mundo atual, inclusive o digital.

Porém, é importante ressaltar que o ponto-de-vista de uma série televisiva ou de filmes sobre adolescentes seguem roteiros e scripts profissionais que são realizados para serem exibidos para um público em geral e, muitas vezes, distanciado dos problemas de cada adolescente individualmente ou o que acontece na sua família e nas diversas situações sociais.

Depois é importante ressaltar que o contexto social americano é bem diferente do contexto brasileiro, e precisamos deixar de “copiar” problemas de lá, do exterior, via as mídias, e tentar entender o que se passa a cada dia na realidade da maioria dos adolescentes brasileiros.

Árvore de Livros: O bullying é um fenômeno que não faz distinção de camadas sociais e está presente em escolas públicas e particulares do mundo inteiro. Como as instituições de ensino devem lidar com os alunos agressores?

Dra. Evelyn Eisenstein: Bullying é uma das formas de violência que ocorre entre pares de colegas estudantes nas escolas, e acontece em todas as escolas. É uma forma de intimidação, humilhação ou confronto de “poder” entre alunos ou grupo de alunos, e que demonstra um confronto de controle entre os agressores e as vítimas.

Mas é importante ressaltar o terceiro vértice desta situação de violência que é o “silêncio” (ou a omissão) das “testemunhas” ou de colegas que sabem que existe o problema, mas ficam calados e não denunciam, geralmente por medo de se tornarem vítimas.

Todos os 3 grupos necessitam da atenção que precisa se transformar de negativa (a violência) para positiva (convivência) e todas as escolas precisam ter atividades sobre bullying, de prevenção e de identificação, para encaminhamento e tratamento psicológico, não só das vítimas, mas também dos agressores e suas famílias.

Geralmente o bullying que ocorre na escola é só um dos sintomas do desajuste ou problema familiar que ocorre fora da escola e a instituição de ensino precisa ter uma equipe de psicopedagogos ou de psicologia para intervenções precoces e avaliação médica ou psicológica da situação de todos os envolvidos.

Árvore de Livros: Uma pesquisa realizada em 2010 pela Plan International, uma ONG voltada para os direitos da infância, revelou que o bullying tem características semelhantes em qualquer país, mas que no Brasil existe uma particularidade: 21% dos casos acontecem dentro da sala de aula. No que o professor deve estar atento e como identificar bullying, ou seja, como identificar que um aluno está sofrendo esse tipo de agressão dentro do ambiente escolar?

Dra. Evelyn Eisenstein: Existem várias pesquisas sobre bullying e, atualmente, sobre o cyberbullying que é a mesma violência, agora transmitida online.

O CGI, Comitê Gestor da Internet e o CETIC, Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação, realizaram em 2015 a pesquisa TIC KIDS ONLINE, com entrevistas domiciliares nos 350 municípios das cinco regiões do Brasil.

A pesquisa demonstrou que 23 milhões de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuários de Internet e 20% já foram tratados de forma ofensiva (vítimas), caracterizando uma das formas de cyberbullying, mas 37% viram alguém ser discriminado nos últimos 12 meses, o que representa mais de 8 milhões de crianças e adolescentes testemunhas ou expostos aos discursos de ódio, intolerância ou violência.

Os conteúdos podem ser agressão verbal, brigas, assédio sexual, desrespeito ou fofocas, tipo de humilhação ou discriminação por etnia, religião, orientação sexual ou algum tipo de deficiência.

O professor precisa estar atento na sala de aula, no recreio ou nas saídas das escolas para o que realmente está ocorrendo. Geralmente o aluno não quer voltar às aulas ou começa a ter baixo rendimento escolar ou começam sintomas de terror ou medo de ir à escola ou não consegue dormir à noite ou choros frequentes.

Prestar também atenção às notas e o por quê acontecem súbitas variações, entender melhor o que está acontecendo no dia-dia de seu aluno.

Árvore de Livros: Além dos problemas emocionais que o bullying pode provocar, existe alguma relação entre sofrer maus-tratos e o mau desempenho do aluno na escola?

Dra. Evelyn Eisenstein: Sim, sofrer maus tratos ou qualquer forma de violência durante a infância ou a adolescência, durante importantes fases do crescimento mental-cerebral impactam para sempre, inclusive na vida adulta, e deixam marcas indeléveis, o que denominamos as reações do estresse pós-traumático, e a queda do desempenho escolar, do aprendizado e até da evasão escolar são repercussões das reações adversas (adverse childhood experiences ou o ACE study), problemas de memória, cognição e afetividade estão sempre associados.

Leia também: Reprovação escolar: causas e 6 soluções para diminuir esse índice

Árvore de Livros: Já faz um tempo que o bullying ganhou uma nova vertente: a das redes sociais. Como as escolas podem agir para combater a prática de maus-tratos entre colegas na internet e de que forma é possível abordar este tema com os alunos?

Dra. Evelyn Eisenstein: As escolas podem – e devem – agir com urgência na prevenção do bullying-cyberbullying e de qualquer forma ou ato de violência entre seus alunos.

Desde 2015 existe uma nova Lei sancionada, lei 13.185, que institui o programa de combate à intimidação sistemática e fatos ou imagens que depreciem, incitem à violência, adulteração de fotos ou dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial (bullying) ou através da rede mundial de computadores (cyberbullying).

Estes fatos vêm se tornando cada vez mais frequente e com consequências danosas, perigosas e sendo causa de transtornos mentais, comportamentais e, inclusive, de morte, como acontece em desafios perigosos, outro exemplo de violência disfarçada de “brincadeira” para testar seus limites em jogos online.

As escolas precisam ter regras de convivência, convívio saudável e respeitoso entre todos, palestras e práticas sobre prevenção dos riscos, tolerância às diversidades, mediação de conflitos, práticas alternativas de liberação de “tensões diárias” como atividades artísticas, musicais, exercícios ou atividades esportivas que promovam a solidariedade e a construção da paz.

Se necessário, oferecemos consultoria às escolas ou aos educadores sobre algumas dessas metodologias de prevenção da violência/bullying/cyberbullying, contato através do telefone (21) 2539-0048, Clínica de Adolescentes ou ESSE Mundo Digital.

Árvore de Livros: O bullying também é prejudicial ao aluno que o pratica?

Dra. Evelyn Eisenstein: Todos na escola são prejudicados, tanto o aluno que pratica o bullying (agressor), como o que sofre (a vítima), como os que observam e não denunciam (as testemunhas) e também a própria rotina da escola, que deixa de ser um local prazeroso de convívio e de aprendizado para a vida e para a construção da paz e tolerância entre todos e passa a ser um “ringue-de-boxe-ou-de-lutas-livre” e pior, sem necessidades, todos perdem nestas batalhas.

Árvore de Livros: Como os responsáveis pelo aluno podem ajudar a escola no combate ao bullying?

Dra. Evelyn Eisenstein: Todos são responsáveis: pais, escola e sociedade. Inclusive, o papel da mídia deve ser ressaltado.

Violência gera violência. Convívio saudável gera possibilidades de convivência mais saudável, na família, na escola, na sociedade. Menos tensão e menos estresse e teremos mais saúde e paz.

Palestras devem ser realizadas com mais frequência e com mais participação e interação entre professores e pais, educadores e alunos. Resolução de problemas e conflitos gerados pela violência devem ser uma meta de todos na escola. Ou seremos todos parte do triângulo do silêncio e da perpetuação da agressão entre as gerações.

Não estaremos construindo um futuro melhor para ninguém, portanto, a hora é agora para a proteção de todos. E basta de violência-bullying-cyberbullying!

NOTA: A Árvore de Livros condena toda e qualquer forma de violência e acredita que os educadores têm um papel fundamental no combate às agressões dentro do ambiente escolar, com atividades sobre bullying na escola, prevenindo e solucionando possíveis casos.  

Para reforçar nossa crença e ajudar no entendimento de como identificar o bullying, bem como no auxílio à reflexão e no maior conhecimento sobre o assunto, selecionamos 3 livros do nosso acervo para que você professor, coordenador ou diretor possam acessar e trabalhar com atividades sobre bullying na sala de aula ou para se informar mais sobre o assunto.

3 livros sobre bullying na escola

Como apresentado, o bullying é um dos grande motivos para a queda de resultados de um aluno, podendo também ser uma das principais razões para um aluno desejar sair de uma escola, dessa forma, entender como evitar a evasão escolar também faz parte do aprendizado sobre o tema, tão delicado.

A seguir separamos 3 obras para pais e professores entenderem como lidar com o bullying, com ações de prevenção e ação diante de um caso em sua escola.

1.”Bullying: Mentes Perigosas Nas Escolas”

Um dos primeiros livros a tratar da violência e intimidação nas escolas, “Bullying: Mentes perigosas nas escolas” foi escrito pela Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, uma das pioneiras em abordar o tema de forma simples e objetiva com pais e educadores, apontando como identificar o bullying e muito mais sobre o assunto.

2.”FLICTS”

Apesar de ter sido escrito em 1969,  este livro é muito atual, pois relata o sofrimento e humilhação que muitas crianças passam por “serem diferentes” do padrão pré estabelecido pela sociedade.

Ziraldo nos presenteou com um livro cuja mensagem principal e mais importante refere-se ao caráter e ao respeito que temos que ter uns com os outros, uma vez que independente das diferenças, todos temos nosso lugar no mundo.

3.”Bullying: Vamos sair dessa?”

Na periferia e nos bairros de classe média, o bullying cresce como uma praga. “Bullying: vamos sair dessa?” discute o preconceito, as dúvidas, as dores e as causas desse mal que afeta crianças e jovens em nossas escolas, públicas ou privadas.

Torna-se, assim, uma importante ferramenta de discussão e informação, que poderá ser usada por professores, diretores, pais e alunos, vítimas ou não desse tipo de agressão.

E agora, se sente mais preparado para lidar com o bullying depois de ter acesso à entrevista com a Dra. Evelyn Eisenstein e com a sugestão dos 3 livros acima? Desenvolver atividades sobre bullying na sala de aula e estar atento às mudanças comportamentais dos alunos é papel de todos.

A Árvore de Livros faz um trabalho pedagógico de desenvolvimento da leitura em uma plataforma 100% digital, adotada por grandes redes de ensino como a Rede La Salle e a Rede Salesiana.

Somos apoiados pela Fundação Lemann, sendo a plataforma de tecnologia educacional com melhores resultados até hoje. Entre em contato com a nossa equipe e transforme seus alunos e leitores ativos!

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